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Brasil, 19 de setembro de 2014
     

Produtor de algodão foca mercado interno

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18 de janeiro de 2010

O mercado doméstico promete ser um porto atraente para o algodão produzido pelo Brasil nesta safra 2009/10. Com previsões de estabilidade ou leve queda da colheita e de incremento do consumo interno de têxteis, em linha com as projeções para a economia como um todo, justificam o cenário - que tende, em contrapartida, comprometer a exportação, cuja rentabilidade está comprometida pelo câmbio. Conforme dados da Conab, no ciclo 2008/09 os embarques de algodão em pluma somaram 480 mil toneladas, e em 2009/10 as vendas ao exterior tendem a cair 25%, para o menor patamar desde a temporada 2005/06.


A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) prevê que o consumo de têxteis vai crescer 4% em 2010. "O mercado interno tem na elevação da renda das classes C e D um aliado", diz o consultor Andrew MacDonald. Como a produção brasileira não deve se expandir, o mercado interno sinaliza pagar mais pelo produto, que começa a ser colhido em junho. Ao fechamento de ontem na bolsa de Nova York, a indústria nacional remuneraria a libra-peso em R$ 1,41 (posto em SP), valor que cai para algo entre R$ 1,27 e R$ 1,29 para produto com destino à exportação. "O preço interno começa a subir porque importar sai mais caro, além de trazer complicações técnicas na indústria", explica Miguel Biegai Jr., da Safras & Mercado.

Para cada libra-peso importada dos Estados Unidos, por exemplo, o importador pagaria, aos valores de ontem, R$ 1,46 sem compensação do drawback (isenção de imposto para importação de produto bruto com equivalente exportação de item acabado). Com a isenção tributária de importação, a pluma americana sairia por R$ 1,36, nos portos do Nordeste. "No entanto, permanece ainda todos os complicadores da importação, a começar pela necessidade de calibragem de máquinas de fiação para outro padrão de fibra", detalha Biegai.

Além disso, segundo MacDonald, há a dificuldade para a indústria exportar o têxtil com o câmbio e a concorrência da China e da Índia. "Assim, conseguir o drawback fica ainda mais difícil".

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) tem a mais positiva das previsões de safra: estima uma colheita de 1,2 milhão de toneladas de algodão em pluma, superior aos 1,19 milhão de toneladas do ciclo anterior, segundo a Conab. A Safras & Mercado, por exemplo, aposta em 1,1 milhão de toneladas. De qualquer forma, explica MacDonald, não vai ter algodão para todo mundo. "Mesmo se considerando o melhor dos cenários, em que teremos uma oferta de 1,2 milhão de toneladas, faltará produto, pois teremos um consumo interno de 1 milhão e um mercado externo que busca todos os anos 400 mil toneladas. Alguém vai ficar sem", afirma ele.

Outro indicativo de que as exportações devem ser menores está no volume comprometido com antecedência. A safra que será colhida em junho está neste momento apenas 34% negociada, percentual que costumava ser na mesma época de anos anteriores muito acima, na casa dos 60%, conta Haroldo Cunha, presidente da Abrapa. A safra colhida em 2008, por exemplo, tinha 675 mil toneladas comprometidas antes da colheita, no ciclo seguinte, em 2009, eram 550 mil e nesta safra, temos apenas 374 mil toneladas, segundo a Safras & Mercado.

A mudança no formato dos contratos firmados antes da colheita também traz uma pitada de incerteza quanto ao volume que será embarcado. Os contratos mais adotados são os chamados "flex", em que a trading pode decidir no vencimento se vende a pluma no mercado interno ou no externo. "Assim, esses 374 mil toneladas não estão garantidos para exportação", observa Biegai.

Todo esse cenário também é, em parte, reflexo da aversão do produtor brasileiro a negociar sua produção muito antecipadamente. Depois de adotarem o modelo australiano de venda com três, quatro safras de antecedência, os cotonicultores levaram um tombo do câmbio, que os fizeram retornar aos moldes brasileiros de vender a commodity. Biegai conta que os primeiros contratos de venda firmados para entrega em junho deste ano começaram a ser feitos em 2006, ou seja, há quatro anos.

"Foi um volume pequeno naquele ano, de 8,2 mil toneladas, mas já mostrava a antecedência com a qual o produtor se programava". O presidente da Abrapa conta que as vendas muito antecipadas foram adotadas pelo Brasil como estratégia para ganhar credibilidade no mercado internacional. "Era importante ao produtor mostrar naquele momento que era um fornecedor regular".

Fonte: Valor Econômico

Jornalista responsável pela publicação da matéria no site Guia Têxtil: Marli Rudnik (SC 484 JP) / New Age Comunicação
 
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