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Recessão técnica pressiona Copom Imprimir E-mail
10 de junho de 2009
O desempenho do PIB brasileiro no primeiro trimestre, que o IBGE divulga hoje, deve confirmar o cenário de recessão técnica – duas quedas trimestrais consecutivas. Para o mercado, o recuo da atividade econômica deve ficar entre 1% e 2,5%, o que coloca mais pressão sobre o Comitê de Política Monetária (Copom), que anuncia a nova taxa básica de juros amanhã.
A recessão técnica é o argumento da ala do mercado que prevê corte de um ponto percentual na taxa Selic. O grupo, porém, é minoritário. Prevalece a avaliação de que o Banco Central (BC) usará a recente reação da atividade para diminuir o ritmo de flexibilização da política monetária, com redução de 0,75 ponto na Selic. O único consenso está na aposta de que o país terá, pela primeira vez na história, juro de um dígito.

O ministro Guido Mantega disse, ontem, que a economia brasileira, “certamente”, registrará uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e março deste ano em relação ao apurado no quarto trimestre do ano passado.

“O crédito ainda está caro. Evidentemente, o primeiro trimestre foi ruim, vamos registrar um crescimento negativo, não sei de quanto. Se fala em 1%, 2% e 2,5%. Eu não me arrisco a dar números para não me equivocar” disse Mantega.
Na avaliação do ministro, contudo, essa será uma notícia do passado, “vista pelo retrovisor”, pois a economia brasileira já está registrando recuperação clara em vários setores, o que foi, segundo ele, propiciado pela ação rápida do governo ao adotar medidas anticíclicas a fim de diminuir os impactos da crise no país.

Em relação à Selic, no relatório Focus, que reúne previsões dos economistas consultados pelo BC, a expectativa é de um corte de 0,75 ponto, o que baixaria a taxa dos atuais 10,25% para 9,5% ao ano.

Ontem, Mantega, mostrou-se descontente com o nível atual dos juros reais brasileiros, isto é, o juro após o abatimento da expectativa de inflação para os próximos 12 meses. “Alguns estão satisfeitos com esses juros reais de 5%. Eu não estou satisfeito, pois 5% é taxa de aplicação (financeira)”, comentou.

Segundo o ministro, o custo financeiro para a tomada de empréstimos por empresas e cidadãos está ainda bem alto. O comentário ocorre algumas semanas depois de o presidente do BC, Henrique Meirelles, ter dito que muitas pessoas sonhavam no passado com a taxa de juros real de 5%.

Fonte: Diário Catarinense

Jornalista responsável pela publicação da matéria no site Guia Têxtil: Marli Rudnik (SC 484 JP)
 
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